Não ajuda nada dizer
Que é dor íngreme esta que sinto
Menos ainda passá-la, torpe, para o papel
Que diabos: os narizes não farejam nada
O carvão surge nas conversas dolosas
E túmidas das inconsequências
As contingências não me deixam viver
E não me deixam viver porque
As ânsias talham-me como depressa são
No horizonte celeste das lentes
Dos buracos das minhas consciências
E tenho, raios, que decifrar ruídos
Advindos não sei de onde, nem de quando
Que vivem, e só de viver rebentam
Na margem em ondas não anunciadas
Soterram os minerais sais das magnificências
A existir nos ais – meus – seus – profundos
E nem vale a pena falar nela e na sua desaparição
Pois já o poeta me disse tudo
O destalento e o desalento...
E as paragens bruscas do coração
Como imagens copulativas ligadas
Pelas intermitentes penumbras a tocar nuvens
É o mundo, meu, cor de café
Não gosto das fivelas aberrantes
Que enferrujam as coisas apressadas
E pressa é só o que tenho
Tanto que nem a luz existe
Entre o olho e a pena
E a pena e o olho estão sempre em mim
E depressa depreendo salamurdas penugens em mim
Salamurdo, surdo, mudo – não sou
Não sou, não sou, não sou, não quero ser
E não sou, neste momento, o “normal” espírito
Espero, enfim e apenas, as grandes mudanças
Como o grande novelo de pano
Polvilhado de probas e réprobas manchas esburacadas
E, sentindo, o fértil cultivo do tudo...
[2004]
Sunday, April 22, 2007
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