o silêncio não manifesta a falta de entranhas / mas sim as palavras com que as entranhas cozem
só podemos dar a notícia do fogo / quando sabemos escrever o fumo
e essa inépcia deixa-nos arrasado / como ao menino que aprendeu
a brincadeira antes de conhecer / o objecto de brincar
esta incapacidade não tem remédio / apenas alguma esperança de engano
nos olhos dos juízes (ou dos comensais) / esperemos que nos avaliem
com o coração em vez da razão / e que a pena seja assobiar para o lado
(ou engolir com esforço)
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