o homem que aspira à liberdade
encoraja e desencoraja a morte todos os dias
sofre os abalos mudo e amarelecido
a liberdade não dá de barato as confidências
e ocupa toda a alma entumescida
o homem que quer ser livre
não tem cara - tem feições
não tem morada - tem a rua
não tem membros - tem selos e lacre
não tem calor nem frio - tem medo
não tem amarras - tem grilhetas de ferrugem
não tem amor e não tem filhos -
o tempo acaba sempre ali mesmo
quer venha ou não a morte
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