Friday, November 23, 2007

Ser gordo

"Ser-se gordo, hoje em dia, é um acto de resistência, um grito de liberdade.
Toda a cultura vigente, higieno-fascista e cobarde, diz-nos para ter cuidado com isto e aquilo; para não abusar; para nos submetermos às ditaduras das análises do colesterol e do diabo a sete. Querem que vivamos acocorados, tremendo de medo dos malefícios de tudo o que nos sabe bem há séculos a fio, negando a nós próprios qualquer prazer que não esteja regimentado, planeado e aprovado pelos mandarins da saúde pública. Querem que subsistamos como escravos e, caso persistamos em perseguir o que é reconhecidamente bom e agradável, que nos sintamos culpados e indecentemente arrependidos.
Pois não há-de ser assim que nos convencem. O pão com manteiga e o gin-tónico; as simples batatas fritas; a gordurinha estaladiça das costeletas de borrego... todas estas coisas nem sequer piscam quando as autoridades as proíbem e denigrem."

Miguel Esteves Cardoso - A Minha Andorinha, Assírio e Alvim

Ora aqui estão algumas palavras que bem poderiam ser adaptadas para um hino aos gordos. O meu amigo Dinarte poderia tentar fazê-lo, pois ele, assim como eu, também é agraciado com algumas - substanciais - qualidades "adiposas".

1 comment:

Anonymous said...

Permita-me discordar caro Sr., pode-se apreciar uma bela refeição sem sentir remorços e sem culpa.
Nada melhor na vida que desgustar uma deliciosa refeição.No entanto, como tudo na vida, e neste caso, na culinária há que haver equilibrio, moderação....
Não acha???