Tantas vezes ausculta o homem a razão pela qual o menino não foi feliz. Lembra-se de um jeito ensimesmado e tímido que fazia – e faz – levantar as guardas, em alguns momentos beligerantes, de novos e velhos. Lembra-se de uma criança que aceitou perder pensando que ganharia depois – ninguém lhe explicou as maleitas crónicas que essa forma de agir imprimiria na sua pele e na “giba” que, hoje, o homem já não pode corrigir.
Na escola o seu aspecto forte e balofo era um desafio para os miúdos que se queriam afirmar. A sua lei nunca foi a do forte, mas a do justo: e por isso levava porrada, “porrada de pancume”, assim diz-se; a vingança ficava no caminho que calcorrearia depois – era-lhe isso tão certo como a raiva que tinha e hoje brande num constante cerrar de dentes.
Raiva.
Os fins de tarde solarengos a observar o mar, sem livros, sem brinquedos especiais e, volvidos 4 ou 5 anos, acompanhados por uma guitarra pouco misericordiosa para os dedos. O irremediável pensamento do homem vê nisso muito pouco – nem uma âncora pequena de caravela a que se prender nos momentos de procura interior de felicidade.
Felicidade.
O homem, hoje, comete o erro, bem pode estar certo disso – comete-se-lhe o erro de procurar o contentamento nas lembranças do passado. Que momentos, alguns, passaram sem consciência e rápidos – felizes, portanto –: não há dúvida. Que esses momentos são julgados pelo juiz do tempo como despiciendos, memórias de segundíssima classe, sem brilho, sem sombra, sem dificuldade –: parece ser verdadeiro.
A verdade.
O homem procura lembranças brancas – escritas com palavras brancas, etéreas de vazio e de vento a assobiar, como estas – mas encontra apenas as sombrias; o contrário é bem possível, também. Quer verdade quando não a reconhece. Quer felicidade mas não a aceita. Quer paz e assoma-lhe a raiva na tensão dos músculos.
Tantas vezes, com efeito, ausculta de mansinho, aninhado com o ouvido pregado ao ombro, o homem; no menino nada encontra. Outro ente parece ter ido já há muito tempo, deixando um órfão que se sabe avesso à mudança e ao erro – desgraçadamente, ao erro.
E o erro. Os erros.
Aqueles com que – interroga-se das razões o homem – abre os olhos após o sono, fazendo do sono algo insuportável. Algo indesejável. Não quer dormir – tal como as crianças não querem dormir, nunca querem dormir. O que está lá fora escapa, e eu não preciso de descansar: sou criança; não sou homem.
Na escola o seu aspecto forte e balofo era um desafio para os miúdos que se queriam afirmar. A sua lei nunca foi a do forte, mas a do justo: e por isso levava porrada, “porrada de pancume”, assim diz-se; a vingança ficava no caminho que calcorrearia depois – era-lhe isso tão certo como a raiva que tinha e hoje brande num constante cerrar de dentes.
Raiva.
Os fins de tarde solarengos a observar o mar, sem livros, sem brinquedos especiais e, volvidos 4 ou 5 anos, acompanhados por uma guitarra pouco misericordiosa para os dedos. O irremediável pensamento do homem vê nisso muito pouco – nem uma âncora pequena de caravela a que se prender nos momentos de procura interior de felicidade.
Felicidade.
O homem, hoje, comete o erro, bem pode estar certo disso – comete-se-lhe o erro de procurar o contentamento nas lembranças do passado. Que momentos, alguns, passaram sem consciência e rápidos – felizes, portanto –: não há dúvida. Que esses momentos são julgados pelo juiz do tempo como despiciendos, memórias de segundíssima classe, sem brilho, sem sombra, sem dificuldade –: parece ser verdadeiro.
A verdade.
O homem procura lembranças brancas – escritas com palavras brancas, etéreas de vazio e de vento a assobiar, como estas – mas encontra apenas as sombrias; o contrário é bem possível, também. Quer verdade quando não a reconhece. Quer felicidade mas não a aceita. Quer paz e assoma-lhe a raiva na tensão dos músculos.
Tantas vezes, com efeito, ausculta de mansinho, aninhado com o ouvido pregado ao ombro, o homem; no menino nada encontra. Outro ente parece ter ido já há muito tempo, deixando um órfão que se sabe avesso à mudança e ao erro – desgraçadamente, ao erro.
E o erro. Os erros.
Aqueles com que – interroga-se das razões o homem – abre os olhos após o sono, fazendo do sono algo insuportável. Algo indesejável. Não quer dormir – tal como as crianças não querem dormir, nunca querem dormir. O que está lá fora escapa, e eu não preciso de descansar: sou criança; não sou homem.
2 comments:
Raiva
Felicidade
Verdade
Erro
Qual delas será o Norte?
Perfeito, amigo.
JN
Nenhuma o Norte, Jany, nenhuma... Este Norte não tem bússola, ou vice-versa. ; )
Abraço forte
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