Os pontos luminosos
Escalam os vales
Narizes aspergem narinas
De fumos
E nocturnos soturnos
Os acordes guturais
Dos passos dados
(...)
É bom objectivo
Aperfeiçoar os meus acordes
E não só a colher
Mergulhar no fumegante café...
Ver sofregamente os visores
Dos telemóveis
(...)
Os princípios nada são
Os princípios nada são
É no olhar que buscamos
Mesmo nos sem-olhar
Dá-nos o imenso gosto os ímpetos
Dos mutilados
Dos mutilados sociais à primeira vista
Escalam os vales
Narizes aspergem narinas
De fumos
E nocturnos soturnos
Os acordes guturais
Dos passos dados
(...)
É bom objectivo
Aperfeiçoar os meus acordes
E não só a colher
Mergulhar no fumegante café...
Ver sofregamente os visores
Dos telemóveis
(...)
Os princípios nada são
Os princípios nada são
É no olhar que buscamos
Mesmo nos sem-olhar
Dá-nos o imenso gosto os ímpetos
Dos mutilados
Dos mutilados sociais à primeira vista
(...)
Deixemos por exemplo as espumas
São simples, de bolhas somas
Desaparecem logo e sem assomo
(narizes nauseabundos do café e cigarro)
E e e e e e e e e e
Sendo estas lutas intorpes – mortas
(...)
A colina sobe íngreme – a dor –
Aos céus
Com seus pontos e risos luminosos
Belos, dengosos – horrorosos
E a bela semi-loira
Com curvas a matar
– e a dar –
O olhar vazio e de vazios a buscar
Os seus assomos e o meu – de amar
(...)
Ao cimo, sobe íngreme a colina
Não a conheço – mas não a preciso ver
(...)
Nunca pensei que não tivesse jeito
Para poemas
E contemplo os olhos – olhos
Das velhotas a morrer –
Perecem nada sentir, dissecam
Dissecam, saboreiam as réstias
De mundo para elas a haver
Devagar, muito d e v a g a r
(...)
Hoje não se almeja os ofícios de outrora
A alma em lado nenhum agora mora
E esvai-se nas baforadas e dedos apontados
[com os dedos e mãos fala-se mais que pela boca]
Pela boca vive-se
Pelas mãos fala-se
E deste transtorno sinfónico
A sinfonia dos transtornos
Deste simples, vulgo, abandono
Destes sítios, pedras sem dono
Óculos túmidos, funéreos, nada vendo
Por detrás os olhos – e dedos – com sono
(...)
Este diabo de música de fundo
As ideias que se esvaem
Esvaindo saem do mundo
O papel é um bom instrumento
Mas a alienação espreita
Na alvura luminosa dos fios de madeira
Nem que seja pela morte das raízes do mundo
(...)
Apeteceu-me telefonar a uma velha amiga
Uma velha amiga – como esta
Um velho amor de trevas em pendor
(nada de dor, nada de dor), um rumor –
É o que é – uma amiga velha
Dele sobra o que a racionalidade deixa
Nada que nada, cinza centelha
Pena é que por vezes vislumbro ainda
Um corpo ameixa
E ninho de um fértil cultivo de tudo
Ou apenas de mim
Ao telefonar-lhe
Balanceiam-me as entranhas
“Folhear o telemóvel (...)
Teu nome surgiu”
Algumas piadas
“Mas isso são banalidades”
Brincadeiras sarcásticas
Troca dos instrumentos das hodiernas tecnologias
Banalidade...
“Quando é que te casas?”
Situação de imprevisto
Outras pessoas
“O Natal já lá foi?”
Vazio... vazio
A meninice das posturas
Misturada em uma mescla
De maturidades fabricadas
São palavras perdidas
(perderam-se ao mesmo tempo
que os sentimentos –
e nada mais sonoro, estridente, cortante
que amizade pode nesta se tornar)
Mais uma sessão
vívida sessão de conversa
Com os íngremes pontos luminosos
Por aí
Deixemos por exemplo as espumas
São simples, de bolhas somas
Desaparecem logo e sem assomo
(narizes nauseabundos do café e cigarro)
E e e e e e e e e e
Sendo estas lutas intorpes – mortas
(...)
A colina sobe íngreme – a dor –
Aos céus
Com seus pontos e risos luminosos
Belos, dengosos – horrorosos
E a bela semi-loira
Com curvas a matar
– e a dar –
O olhar vazio e de vazios a buscar
Os seus assomos e o meu – de amar
(...)
Ao cimo, sobe íngreme a colina
Não a conheço – mas não a preciso ver
(...)
Nunca pensei que não tivesse jeito
Para poemas
E contemplo os olhos – olhos
Das velhotas a morrer –
Perecem nada sentir, dissecam
Dissecam, saboreiam as réstias
De mundo para elas a haver
Devagar, muito d e v a g a r
(...)
Hoje não se almeja os ofícios de outrora
A alma em lado nenhum agora mora
E esvai-se nas baforadas e dedos apontados
[com os dedos e mãos fala-se mais que pela boca]
Pela boca vive-se
Pelas mãos fala-se
E deste transtorno sinfónico
A sinfonia dos transtornos
Deste simples, vulgo, abandono
Destes sítios, pedras sem dono
Óculos túmidos, funéreos, nada vendo
Por detrás os olhos – e dedos – com sono
(...)
Este diabo de música de fundo
As ideias que se esvaem
Esvaindo saem do mundo
O papel é um bom instrumento
Mas a alienação espreita
Na alvura luminosa dos fios de madeira
Nem que seja pela morte das raízes do mundo
(...)
Apeteceu-me telefonar a uma velha amiga
Uma velha amiga – como esta
Um velho amor de trevas em pendor
(nada de dor, nada de dor), um rumor –
É o que é – uma amiga velha
Dele sobra o que a racionalidade deixa
Nada que nada, cinza centelha
Pena é que por vezes vislumbro ainda
Um corpo ameixa
E ninho de um fértil cultivo de tudo
Ou apenas de mim
Ao telefonar-lhe
Balanceiam-me as entranhas
“Folhear o telemóvel (...)
Teu nome surgiu”
Algumas piadas
“Mas isso são banalidades”
Brincadeiras sarcásticas
Troca dos instrumentos das hodiernas tecnologias
Banalidade...
“Quando é que te casas?”
Situação de imprevisto
Outras pessoas
“O Natal já lá foi?”
Vazio... vazio
A meninice das posturas
Misturada em uma mescla
De maturidades fabricadas
São palavras perdidas
(perderam-se ao mesmo tempo
que os sentimentos –
e nada mais sonoro, estridente, cortante
que amizade pode nesta se tornar)
Mais uma sessão
vívida sessão de conversa
Com os íngremes pontos luminosos
Por aí
[2004]
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