Thursday, January 25, 2007

embora

eu sou uma planta infestante
de dentes podres presos
nas gengivas roxas, como se esperaria,
gargarejo dois ansiolíticos
destacados das folhas de poesia

folhas de poesia... pois
folhas de poesia e carne
sumarenta ao fim de uma
dor de cabeça derramada
sobre os poros - esperai!

isto vai mal!

tentemos mais uma estrofe
passada pelo crivo
das racionalidades entremitentes
dos homens hiper-críticos
assim!, sem passwords,
crípticas coisas, analogias
alegorias, e bebedeiras
brandemos desta exacta forma
uma informação polida e certa
"clara e distinta"

e enganar as acções
enganadas sem cessão
pelas divagações desesperantes
do misantropo tautológico

compreender, ainda
que isso pouca tenha que ver
com tudo isto,
que é quando menos estamos alertas
que os nossos lábios tocam a verdade

e que o verdugo não é mascarado

vou engendrar um casulo
vai ser melhor
ou uma teia
hei-de me ir embora

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