A casa onde às vezes regresso é tão distante
da que deixei pela manhã
no mundo
a água tomou o lugar de tudo
reúno baldes, estes vasos guardados
mas chove sem parar há muitos anos
Durmo no mar, durmo ao lado do meu pai
uma viagem se deu
entre as mãos e o furor
uma viagem se deu: a noite abate-se fechada
sobre o corpo
Tivesse ainda tempo e entregava-te
o coração
José Tolentino Mendonça
A casa onde vou afinal é tão perto
da que quero - pela tarde
no mundo
o meu sangue é o conduto de tudo
reúno estes alguidares vazios
mas a hemorragia é preguiçosa há já algum tempo
Eu durmo na aluvião, ao lado dos meus antepassados
um destino não se cumpre
entre as cicatrizes e o ânimo
o trajecto não o percorro: a noite é poderosa
sobre as minhas cândeias
Tivesse tempo e pedia
as tuas mãos
Dinarte Vasconcelos
Saturday, January 20, 2007
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