Sunday, December 10, 2006

Porto

Passeava dando de mim os flancos
Espalhava restos de temperamentos pelas paredes e ruas

Possuía as auréolas da cidade
E sentia-a lentamente tacteando em espasmos

Fugi dos seus negros e névoas desdentadas
Dos seus sórdidos e berrantes hálitos

Mas compus-me, sem pejo
Na cidade que lá ficou...

Engendrei máquinas infernais
E fui protótipo colado à cal dos muros

Paradigma rude de alma gaia
Tonta e embriagada de tudo

[Fiz parte dos mármores e materiais cinzentos
E não há em mim historiador justo e capaz

De raspar das paredes da cidade
Os fragmentos da minha alma projectada]

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