Que fazem os professores
[2004]
senão esventrar pessoas?
Dá-las ao mundo a morder
(ora prove lá o fígado,
é delicioso, sim...).
Que fazem os historiadores
senão esventrar pessoas?
(e pior, comem-nas e por vezes
não as dão a conhecer).
Ora saboreia o fígado!
Não, quero os intestinos.
Todos querem o cérebro e o coração.
Esses, porém, ficam para os catedráticos
obcecados por cheias salas
de esgazeados olhares.
Nem te atrevas a dar-me as unhas!
Nada mais ficou,
com isso ficarás.
E lá no alto
(alto? Porquê alto?)
riem-se
(abdomens a roer-se e a contorcer-se,
ouvidos a estalar de ar a percorrer)
Hume, Alexandre Magno e Sartre,
riem de seus namoros,
tão encarniçados que, se fossem falsos,
viveriam em Marte
[e esta!?]
Tudo à laia de um fugaz conhecimento,
de uma letra redonda, de um simples
(bem queriam eles que fosse simples!)
e claro (de escarlate feito) assento...
No mais, que melhor razão
para perscrutar cabelos, olhos,
artérias e pensamentos?
Dá-las ao mundo a morder
(ora prove lá o fígado,
é delicioso, sim...).
Que fazem os historiadores
senão esventrar pessoas?
(e pior, comem-nas e por vezes
não as dão a conhecer).
Ora saboreia o fígado!
Não, quero os intestinos.
Todos querem o cérebro e o coração.
Esses, porém, ficam para os catedráticos
obcecados por cheias salas
de esgazeados olhares.
Nem te atrevas a dar-me as unhas!
Nada mais ficou,
com isso ficarás.
E lá no alto
(alto? Porquê alto?)
riem-se
(abdomens a roer-se e a contorcer-se,
ouvidos a estalar de ar a percorrer)
Hume, Alexandre Magno e Sartre,
riem de seus namoros,
tão encarniçados que, se fossem falsos,
viveriam em Marte
[e esta!?]
Tudo à laia de um fugaz conhecimento,
de uma letra redonda, de um simples
(bem queriam eles que fosse simples!)
e claro (de escarlate feito) assento...
No mais, que melhor razão
para perscrutar cabelos, olhos,
artérias e pensamentos?
[2004]
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