Saturday, November 18, 2006

cidade - III





Já não sei o que pensar
Para recordar necessita a mente
De olvidar –
E os seus espasmos violentos
Arvoram-se em presença sempiterna

Inútil!

Decalco os contornos das coisas
E registo [concebo] os negativos
Da realidade enevoada
[Ou seja, o tudo de nada]

Em tudo o que vejo e analiso
Contemplo apenas a lenta contradição de mim

Num saco bojudo – inchado
Entra o mundo ruidoso – enrugado
E dele saem as minhas ideias
[Ou seja, o nada em tudo]

[2004]

1 comment:

Anonymous said...

Última estrofe magnífica! Parabens! Abraço, Miguel Gonçalves